Passarinho entrou pela fresta do telhado e o dono da casa não viu.
O dono, distraído, cansado de tentar reparar rachaduras, só percebeu sua presença quando o passarinho começou a cantar. Encantado com tanta doçura e sem reservas, o dono se permitiu embalar. Sem entender, o dono viu o passarinho fazer ninho e com cuidado, o deixou em lugar seguro. Agora, com dor, o dono sabe que precisa abrir a janela porque o passarinho é livre pra voar aonde queira. Em desespero, o dono constatou que não tinha flores em casa pra que o passarinho voltasse. O dono, na verdade, só tinha esperança.
Não sem dor a janela foi aberta. Não sem dor a antiga planta da casa, há muito seca, foi regada de novo, numa esperança ingenua de que ela revivesse e a casa, fechada e com tantas rachaduras, pudesse fazer o passarinho voltar. A casa aberta, a janela permitindo o sol entrar, a luz adentrando os cômodos. E a esperança. Ah, passarinho, pelo dono você voltaria sempre.
Há um silêncio nos cômodos agora. Passarinho voou. Um velho cheiro de café fresco invade a casa e o dono olha pras suas rachaduras, algumas a tanto tempo presentes que até nasceu um afeto a elas. Como fazer? Como lidar? A planta permanece inerte e a casa, o dono precisa admitir, não é bonita. Na verdade, e o dono precisa admitir, trata-se de um lugar em que o silêncio e o vazio sufocam. Por que achastes aquela fresta, passarinho?
As mãos, ainda quentes do calor do passarinho, tentam entender o novo pulsar daquele interior tão feio. Talvez a luz que entra na casa mostra um novo caminho. Talvez. O dono pôs a planta na janela e dela espera que a lembrança traga o passarinho de volta. Tomara, passarinho. Tomara que você volte.
O canto, tão doce, e que fez de novo o dono olhar pra dentro, ainda toca nos ouvidos do dono. Talvez o dono há muito não sabia o que era ouvir um canto e se conformou com o silêncio de outrora, se refugiando dentro do mesmo. O lugar seguro agora virou um lugar de esperanças e esperanças doem. o dono, hoje, sente esperança que o passarinho tenha amado o cantinho seguro e mesmo voando pelo mundo, a ele queira voltar. O dono tem esperança que, a beleza dos céus, a beleza do mar, a beleza do vento conforte o passarinho e ele seja tão feliz que explodindo em felicidade ao seu ninho queira voltar pra descansar. O dono tem esperança que mesmo outros ninhos não sejam tão seguros e protegidos quanto o seu.
A luz do sol, nesse momento, invade toda a casa.
O canto, tão doce, e que fez de novo o dono olhar pra dentro, ainda toca nos ouvidos do dono. Talvez o dono há muito não sabia o que era ouvir um canto e se conformou com o silêncio de outrora, se refugiando dentro do mesmo. O lugar seguro agora virou um lugar de esperanças e esperanças doem. o dono, hoje, sente esperança que o passarinho tenha amado o cantinho seguro e mesmo voando pelo mundo, a ele queira voltar. O dono tem esperança que, a beleza dos céus, a beleza do mar, a beleza do vento conforte o passarinho e ele seja tão feliz que explodindo em felicidade ao seu ninho queira voltar pra descansar. O dono tem esperança que mesmo outros ninhos não sejam tão seguros e protegidos quanto o seu.
A luz do sol, nesse momento, invade toda a casa.