Hoje tem sido um dia de emoções dúbias. Faz uma semana que tem sido, na verdade. Me lembro de ter assistido duas partes de filmes que me marcaram muito, o que se somou a um sentimento de entendimento ou de, ao menos, tranquilidade maior. Ou seria um respiro na inquietação. É para se pensar.
Terminei a segunda parte do filme Vermelho, Branco e Sangue Azul e assisti a primeira parte de A Pior Pessoa do Mundo. Coisas diferentes me tocaram nesses filmes.
A primeira coisa que me tocou foi uma parte de Vermelho, Branco e Sangue Azul , que apesar de ser um filme simples, tem um diálogo muito bonito, quando Alex diz que "Se você permanecer nesta torre você não sentirá nada. Henry, você não sentirá nada".
Talvez por toda uma vida tenha me isolado numa torre, por diversos medos, tal como o personagem. Por vários traumas, dificuldades, dores, receios e medos me encastelei e permaneci incomunicável por boa parte do tempo.
Vez ou outra eu abria a janela mas não deixava ninguém passar. Isso mudou. Não só me permiti amar como dividi minha casa, saí da torre, sonhei, planejei, quis, vivi. Posso não ter sido o mais próximo, o mais presente, o mais amável. Mas vivi.
Fui amado também. Peguei um avião para ir até Brasília, quis dividir uma vida. Estava disposto e pronto para dividir meus dias. Ainda que não tenha se estendido pelo tempo, vivi.
A vida foi um pouco dura comigo, mas talvez a aspereza tenha sido uma marca de sempre. É tocar em frente.
Me sinto triste por entender que meu amor persiste enquanto o relacionamento acabou, mas faz parte do sair da torre. Eu vivi. Amei. Poderia ter vivido toda uma vida amargurado pela dor. Mas não quis isso. Que orgulho.
E não é só.
Sei que me confundi e acabei por me atropelar nas palavras, vomitando palavras que poderiam ter sido resumidas em "Sinto muito sua falta e tenho saudades de você. Te admiro enquanto pessoa maravilhosa que você é e ainda te amo. Se cuide".
Mas faz parte da vida errar. Não sou a pior pessoa do mundo por estar perdido e não ter todas as respostas. Sou humano. Mas aprendi a maior das lições: é preciso sair da torre pra viver e ser feliz. Eu vivi. Fui feliz. Chorei e sinto dor, mas antes dor que amargura.
Não sei qual o caminho, mas sigo.