domingo, 21 de abril de 2013

Os meus 20 anos.

  Acordei mais uma noite sobressaltado com a passagem do tempo, esse senhor calmo e impiedoso. Em frente ao espelho me perguntei quem o tempo tinha me tornado. Mais escuso, mais silencioso, mais reticente. O tempo me ensinou a ter medo. Que paradoxo: Sei sobreviver aos trancos, pois já passei por tantos, mas tenho medo. Muito medo. Esse senhor, entrou pela minha porta e sorriu pra mim, me dizendo " olha teu cabelo, tens seus primeiros indícios de calvície. Não és impune a mim. 
  A noção da brevidade das coisas é assustadora. Mas sim, as coisas tem um tempo. Tempo esse que não é amigo. O tempo não é amigo do homem, é inimigo mortal. Levando o vigor, o frescor.
    Mas os meus vinte anos... Bem, quando foi que eu pulei dos 15 anos pros 20? Eu não vi, não percebi, mas eles vieram. Vieram me angustiando, me tirando o sono. Me trazendo responsabilidades, deveres. Já não posso passar uma noite em claro, o dia seguinte é de produzir algo e eu não produzirei. E eu tenho de produzir. Tenho de ser bom estudante, bom profissional, eficiente, aplicado, dinâmico. Tenho de aprender a ser mil coisas, sem qualquer explicação. Já sei que agora é comigo, sou o que escolher. As escolhas não mais afetarão um dia, o amanhã já é produzido hoje, agora. 
  Há mil Victor Hugo por aí e eu tenho de ser tão bom ou mil vezes melhor que o melhor deles. Já não penso mais em sentimentos, que tenho de tratar como empecilhos ao meu caminho. Tenho de focar na profissão, focar na carreira, ter dinheiro, ter carro, ganhar muito, ser bacana, legal e com uma conta bancária recheada. Afinal, quem quer saber da minha personalidade? Eu sou o que tenho e eu tenho de ser muito.
  Me angustiam os erros. Me tiram o sono as irresponsabilidades de outrora, as vidas que passaram pela minha e que prejudiquei. Me faz faz baixar os olhos de vergonha quando fui leviano, fui imprudente. Quando na busca de preencher o vazio, magoei outros, feri tantos. Tantos me feriram também! As dores se tornaram mais fortes e menos evidentes. Choro por dentro, com infinita e muda dor. Dói pensar em tantos tropeços. Dói olhar pra trás e ver que em algum lugar ficou a inocência. Mas ficou. 
  O mundo continua girando cada vez mais veloz e eu vou fingindo que tenho paciência. 
  

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