segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Carta ao Eu do futuro.

Olá, Victor Hugo do futuro.
Hoje você está com medo e pensativo acerca das coisas.
Muitas coisas passam na sua cabeça: como encarar a vida de frente e se fazer entender, dizendo exatamente aquilo o que se quer?
Como vencer as dificuldades da vida, o cansaço, a mente já desgastada?
Como ser paciente?
Como não desistir?
Como ser eu mesmo, quando o eu mesmo é uma sombra, alguém por detrás da cortina?
Eu não sei dizer se você conseguiu satisfatoriamente responder a essas questões. Eu também não sei dizer como você encontrou em si mesmo a confiança em si para avançar.
A verdade é que hoje eu estou ferido.
A verdade é que eu estou desacreditado.
A verdade é que eu me sinto desabrigado.
A dor desses sentimentos, o desabrigo, o desamparo pesa sobre meu peito e sobre minha mente. Na verdade dói. É difícil admitir.
Mas, confiando em nós dois, continue sabendo que você não é um peso.
Nós não somos um peso.
Nós merecemos amor e compreensão. Nós merecemos cuidado e gentileza. Nós merecemos amor.
Nós merecemos amor.
O nosso amor é merecimento. Nós merecemos amor.

Dos dias

Escrevo sobre a angustia dos dias, dos pesos sobre os ombros, da dor que aperta a garganta. 
Escrevo, talvez, sobre o sentimento da solidão, em suas mais diversas formas: a solidão do desamparo sobre o peso do mundo, a solidão do desamparo frente ao não entendimento, a solidão do desemparo do silêncio com o outro.
Escrevo, sobretudo, porque em mim as palavras caladas estão a muito para transbordar. 
Há, dentro de mim, um sentimento que precisa de vazão. Há, dentro de mim, um sentimento que precisa voar: a angústia dos dias. A angústia do desamparo. A angústia da solidão.
Escrevo porque há em mim algo próximo a dor de Dora "tenho medo que um dia você também me esqueça". 
Escrevo, dessa forma, para tentar encontrar em mim algum sentido, algum norte, algo que me indique porque caminho, porque existo, porque persisto. 
Escrevo, veja, para me salvar. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

A carta de Dora.

"Josué
Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. Agora eu to mandando essa carta pra você.
Você tem razão. Seu pai ainda vai aparecer e, com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira.
Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. você merece muito muito mais do que eu tenho pra te dar.
No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto.
Eu digo isso porque tenho medo que um dia você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.
Dora
"

Central do Brasil.