Carta para Victor, 11 de maio de 2023.
Olá, Victor. Você deve até saber, mas hoje foi mais um dia daqueles, em uma série de grandes dias daqueles. Eu nem falo da quase impossibilidade de conseguir chegar no horário no trabalho, ou outras coisas que realmente te deixaram um tanto impressionado, como o mesmo ventilador queimar duas vezes e você consertar na cara e no desespero. Nem é isso.
Hoje foi um daqueles dias que percebi o quanto as estruturas podem soterrar, e de como somo pequenos frente ao que se apresenta pra nós. Desde segunda tenho refletido sobre isso, e hoje as coisas tomaram proporções gigantescas. Me senti soterrado, cansado, engolido. E, ao mesmo tempo, orgulhoso por ter sido firme. Por ter sido resistente. Por ter dito não. É preciso dizer não. Passei a vida inteira pra dizer um não e não me sentir culpado por isso. Assim o fiz. Mesmo em meio a uma onda gigantesca. Sei que sou Victor Hugo, hoje. Sei que existo. E isso é muito bom.
Também foi um dia de uma velha lição se fazer presente, a de não deixar pro dia seguinte. As vezes acredito que a vida não é exatamente conivente com paradas pra descanso. Não quando se é pobre. O dia seguinte sempre vem, e vem tudo de uma vez. Faça sempre as coisas no momento em que tem de ser feitas, Victor. De verdade.
Poderia escrever algumas linhas sobre meus sentimentos hoje. Sigo um pouco carente, e talvez seja porque o gosto de compartilhar a vida seja muito doce, e o que sinto falta. Amar é muito bonito, amar e ser amado é bom demais. Amar e viver e um relacionamento saudável é um afago na alma. Viver tudo isso conta muito, e ficar sem incomoda um tanto. É da vida.
Meu corpo está um tanto cansado, Lucas e Arthur estão doentes, sigo pensando neles e em oração. A carta é menor, por esses motivos. Hoje foi definitivamente uma quinta-feira, Victor.
Espero em esperança por você.
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