Carta para Victor Hugo, 08 de maio de 2023.
Olá, Victor. Te escrevo para que você lembre desse dia e quem sabe dê uma risada. Ou só lembre que existem dias realmente ruins, e tudo bem. Eles também passam. Não suavemente, é bem verdade. Mas eles passam.
Hoje o dia parecia movido por uma força invisível que testa até onde estamos dispostos a suportar pra continuar e seguir em frente, encarando que a vida requer de nós coragem e sobretudo persistência.
De início uma calça que rasgou (e que pena, tão nova e bonita!), que rendeu alguns minutos a mais e um precioso ônibus no horário, levando a tranquilidade de chegar cedo e se preparar pra audiência e trazendo uma esbaforida chegada no trabalho. Que jeito, é bem verdade.
O inacreditável veio um pouco depois, com uma recusa de desocupação de espaço que levou a uma gambiarra para conseguir participar de uma audiência - e olha, acredite, foi uma mega gambiarra, constrangedora até. Sensação de desrespeito enquanto profissional, enquanto pessoa. Que jeito. Cabeça levantada, fazer o que se é pago pra fazer.
Mais adiante muitas horas de banco, problema de recebimento de dinheiro, filas, zíper quebrando no meio do calçadão, constrangimento pra ficar no trabalho, cobranças, coisas difíceis de escutar e ter de fingir não se importar. Que jeito. Novato, contas pra pagar, responsabilidade.
E, após chegar em casa, faltar uma aula importante, ficar na rua, trancado do lado de fora. E talvez um pouco mais de barulho pra dormir. Não sei.
Tem dias que o mundo é todo hostil. O coração pesa, cansado, exausto de tanta luta. Amanhã tem mais um desses dias. A vida é todo um lutar. Mas dias difíceis se atravessam. Eventualmente sem zíper na calça mesmo, ao menos a cueca era toda preta, igual a calça. Ainda bem!
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